para que não fuja, para que sinta a mesma dor.
a raiva acumula-se por baixo das unhas ao ritmo do tempo,
dos segundos contados à pedrada, nos estilhaços de um espelho,
de um reflexo onde não me reconheço,
que insiste em mostrar-me quem sou, sendo eu outro.
com que armas se obriga o destino a confessar um engano imperdoável?!
com que direito dura menos um momento do que o tempo que demora a chegar,
e com que dor se cura esta dor de o ter perdido mais cedo,
ainda antes de o conquistar?
foda-se, com que direito!?
com que direito nos tira o que somos o direito de ser?!
com que direito nos tira a vida o direito de a viver!?
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