estranha esta sensação.
a vida parece, vista daqui, um mar calmo,
no curto e preciso momento em que mudam as marés...
uma preia-mar à espera de recuar.
um outro mar, o mesmo, na verdade, encheu.
onda após onda, galgou todos os limites,
levou toda a areia,
deixou nua a praia.
os cascos, habituados às tempestades,
sobreviventes de outros ventos, de tantos mares,
conhecem agora uma nova existência,
assentando o fundo no fundo de uma dura realidade.
como uma paz ao contrário,
a calma que se sente imediatamente antes da tempestade,
não augura a bonança, apenas a mudança,
apenas a lembrança de que o mar é revolto.
a maré voltará a encher e virá com força.
é encher o peito, virar a cara ao vento,
cerrar o dentes, selando cá dentro o que se quer,
ser inteiro, viver tudo...
porque é hoje o dia mais importante da minha vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário